A DOR DO ARROIO CASTELHANO

A DOR DO ARROIO CASTELHANO

(*) Adm. Volnei Alves Corrêa

Na última quinta feira tive mais uma oportunidade de, juntamente com técnicos da Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN), fazer uma visita técnica pelas margens do Arroio Castelhano. O dia estava lindo e a caminhada de aproximadamente quatro quilômetros foi realizada em mais ou menos de duas horas.

Desta vez não fui ver suas nascentes, mas a situação de suas margens e seu leito na região próxima à área urbana de Venâncio Aires. Iniciamos nossa aventura , logo após a Vila Dietrich, há uns seis ou sete quilômetros do ponto onde a CORSAN tem sua estação de captação das águas do Arroio.

A primeira imagem com que nos deparamos foi a da figura abaixo.

Uma ponte inconclusa, servindo como barreira de galhos e outros detritos, propiciando mais assoreamento, pois nas enchentes está ponte só está servindo para, pelo represamento das águas, aumentar o seu volume e ocasionar o desmoronamento das margens.

Esta ponte dentro de uma propriedade particular parece mais uma daquelas obras que vai ¨do nada a lugar nenhum¨. Sua altura demonstra que ela foi feita para ser interditada toda a vez que o Castelhano tivesse um grande aumento de água em sua evasão.

No percurso muitos outros problemas foram identificados. Inicialmente pode-se constatar que a retificação feita em meados dos 80 para que a cidade não sofresse com as enchentes, não atingiu seu objetivo. Na época os responsáveis achavam que eliminando as curvas normais do arroio, seu traçado retilíneo daria maior vazão às águas. Além de as enchentes continuarem, o Arroio, caprichosamente, está procurando voltar a sua forma original. Parece que os responsáveis pelas obras de retificação esqueceram um adágio que os antigos muito usavam. ¨ O homem põe e a Natureza dispõe. ¨

A falta de proteção ao leito do Arroio, ocasionada pela eliminação de grande parte da   mata ciliar, aliada a tendência do arroio voltar ao seu formato original, estão ocasionando grandes áreas de assoreamento como se pode ver na figura a seguir.

Até aqui apresentei resultados da intervenção dos homens a partir de obras, muitas vezes mal planejadas, que não resolvem o problema existente e acabam gerando outros de maior repercussão.

Vou agora apresentar verdadeiros crimes ambientais cometidos por pessoas que usufruem deste Arroio, mas parece não terem a menor consciência do mal, que suas ações, estão ocasionando ao ambiente como um todo.

Quanto tempo vocês imaginam para que todo este lixo aí colocado esteja flutuando nas águas do Arroio? Estes resíduos já estão poluindo as margens do Arroio e na primeira enchente, que não precisa ser muito grande, estarão flutuando e contaminando as águas do Arroio Castelhano.

Vejam estes resíduos estão colocados nas margens do Arroio de uma propriedade privada. Podem dizer que falta fiscalização, mas eu garanto que o que está ocorrendo é uma falta de consciência das pessoas que assim agem.

A legislação é muito clara sobre a responsabilidade de quem gera qualquer tipo de resíduo. A Lei que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina em seu artigo 28 que ¨ O gerador de resíduos sólidos domiciliares tem cessada sua responsabilidade pelos resíduos com a disponibilização adequada para a coleta ou, nos casos abrangidos pelo art. 33, com a devolução. ¨ Em síntese somos responsáveis pelo resíduos que geramos até seu encaminhamento para o destino final, que pode ser por reuso, reciclagem ou disposição em local adequado.

A figura a seguir nos dá uma ideia, de outra forma de descumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Esta embalagem foi encontrada a poucos metros da margem do Arroio

O Artigo. 33 do Plano Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que ¨  são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:  agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do Sistema Nacional de Vigilância Sanoitária e do Suasa, ou em normas técnicas.¨

Será que a pessoa que sugeriu a utilização do veneno que está embalagem continha, ou aquela que o vendeu não deram estas informações contidas na Lei ao consumidor? Quem será o culpado? Quem será responsabilizado?

Aqui mais um exemplo de poluição das águas. As bolhas que aparecem nesta vala são resultados de detergentes lançados, nos sistemas de drenagem de águas pluviais urbanas. Estes sistemas são projetados para receber o escoamento superficial das águas de chuva que caem nas áreas urbanas, mas acabam sendo receptores de águas usadas, também chamadas de cinzas, que são lançadas pela população urbana. Estou falando de águas das pias, dos chuveiros, das máquinas de lavar roupa.

Não acredito em mudança de comportamento apenas pela punição. Como professor sou daqueles que acreditam que só uma boa educação pode mudar os hábitos, os costumes e as atitudes, de pessoas que apesar de, dependerem do ambiente em que vivem, esquecem de retribuir com carinho e atenção tudo o que tem recebido da Terra, nossa grande Mãe.

Podem estar perguntando porque denominei este texto como a ¨Dor do Arroio Castelhano. ¨ Não sei bem porque, mas fazendo está caminhada por suas margens, senti muita dor. Não uma dor física, mas algo que veio de dentro, como se eu estivesse também sendo judiado, agredido, maltratado. Senti seu esforço em continuar sua trajetória, apesar dos obstáculos colocados pelo homem, do assoreamento de suas margens, do lixo jogado em suas águas, das tentativas de retificar seu leito, dos descaso com que o tratam.

Ainda não descobri porque o denominaram de Castelhano, mas minha origem uruguaia talvez seja o motivo de minha aproximação. Não tive a oportunidade de nadar em suas águas, mas já bebi de sua água pura das nascentes e, talvez esta ação esteja me dando forças para continuar lutando pela sua preservação.

 (*) Bacharel em Economia pela Universidade de Cruz Alta, RS; Bacharel em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Mestrado em Administração pela Universidade de Syracuse, New York, USA; Mestrado em Auditoria e Gestão Ambiental pela Universidad de Leon, Madrid, Espanha; Professor Universitário; Presidente do Instituto Gaúcho de Sustentabilidade, Consultor Organizacional. Ambientalista

Venâncio Aires, 11/08/2017

 

 

 

 

 

A DOR DO ARROIO CASTELHANO

(*) Adm. Volnei Alves Corrêa

Na última quinta feira tive mais uma oportunidade de, juntamente com técnicos da Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN), fazer uma visita técnica pelas margens do Arroio Castelhano. O dia estava lindo e a caminhada de aproximadamente quatro quilômetros foi realizada em mais ou menos de duas horas.

Desta vez não fui ver suas nascentes, mas a situação de suas margens e seu leito na região próxima à área urbana de Venâncio Aires. Iniciamos nossa aventura , logo após a Vila Dietrich, há uns seis ou sete quilômetros do ponto onde a CORSAN tem sua estação de captação das águas do Arroio.

A primeira imagem com que nos deparamos foi a da figura abaixo.

Uma ponte inconclusa, servindo como barreira de galhos e outros detritos, propiciando mais assoreamento, pois nas enchentes está ponte só está servindo para, pelo represamento das águas, aumentar o seu volume e ocasionar o desmoronamento das margens.

Esta ponte dentro de uma propriedade particular parece mais uma daquelas obras que vai ¨do nada a lugar nenhum¨. Sua altura demonstra que ela foi feita para ser interditada toda a vez que o Castelhano tivesse um grande aumento de água em sua evasão.

No percurso muitos outros problemas foram identificados. Inicialmente pode-se constatar que a retificação feita em meados dos 80 para que a cidade não sofresse com as enchentes, não atingiu seu objetivo. Na época os responsáveis achavam que eliminando as curvas normais do arroio, seu traçado retilíneo daria maior vazão às águas. Além de as enchentes continuarem, o Arroio, caprichosamente, está procurando voltar a sua forma original. Parece que os responsáveis pelas obras de retificação esqueceram um adágio que os antigos muito usavam. ¨ O homem põe e a Natureza dispõe. ¨

A falta de proteção ao leito do Arroio, ocasionada pela eliminação de grande parte da   mata ciliar, aliada a tendência do arroio voltar ao seu formato original, estão ocasionando grandes áreas de assoreamento como se pode ver na figura a seguir.

 

Até aqui apresentei resultados da intervenção dos homens a partir de obras, muitas vezes mal planejadas, que não resolvem o problema existente e acabam gerando outros de maior repercussão.

Vou agora apresentar verdadeiros crimes ambientais cometidos por pessoas que usufruem deste Arroio, mas parece não terem a menor consciência do mal, que suas ações, estão ocasionando ao ambiente como um todo.

Quanto tempo vocês imaginam para que todo este lixo aí colocado esteja flutuando nas águas do Arroio? Estes resíduos já estão poluindo as margens do Arroio e na primeira enchente, que não precisa ser muito grande, estarão flutuando e contaminando as águas do Arroio Castelhano.

Vejam estes resíduos estão colocados nas margens do Arroio de uma propriedade privada. Podem dizer que falta fiscalização, mas eu garanto que o que está ocorrendo é uma falta de consciência das pessoas que assim agem.

A legislação é muito clara sobre a responsabilidade de quem gera qualquer tipo de resíduo. A Lei que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina em seu artigo 28 que ¨ O gerador de resíduos sólidos domiciliares tem cessada sua responsabilidade pelos resíduos com a disponibilização adequada para a coleta ou, nos casos abrangidos pelo art. 33, com a devolução. ¨ Em síntese somos responsáveis pelo resíduos que geramos até seu encaminhamento para o destino final, que pode ser por reuso, reciclagem ou disposição em local adequado.

A figura a seguir nos dá uma ideia, de outra forma de descumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Esta embalagem foi encontrada a poucos metros da margem do Arroio

O Artigo. 33 do Plano Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que ¨  são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:  agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do Sistema Nacional de Vigilância Sanoitária e do Suasa, ou em normas técnicas.¨

Será que a pessoa que sugeriu a utilização do veneno que está embalagem continha, ou aquela que o vendeu não deram estas informações contidas na Lei ao consumidor? Quem será o culpado? Quem será responsabilizado?

Aqui mais um exemplo de poluição das águas. As bolhas que aparecem nesta vala são resultados de detergentes lançados, nos sistemas de drenagem de águas pluviais urbanas. Estes sistemas são projetados para receber o escoamento superficial das águas de chuva que caem nas áreas urbanas, mas acabam sendo receptores de águas usadas, também chamadas de cinzas, que são lançadas pela população urbana. Estou falando de águas das pias, dos chuveiros, das máquinas de lavar roupa.

Não acredito em mudança de comportamento apenas pela punição. Como professor sou daqueles que acreditam que só uma boa educação pode mudar os hábitos, os costumes e as atitudes, de pessoas que apesar de, dependerem do ambiente em que vivem, esquecem de retribuir com carinho e atenção tudo o que tem recebido da Terra, nossa grande Mãe.

Podem estar perguntando porque denominei este texto como a ¨Dor do Arroio Castelhano. ¨ Não sei bem porque, mas fazendo está caminhada por suas margens, senti muita dor. Não uma dor física, mas algo que veio de dentro, como se eu estivesse também sendo judiado, agredido, maltratado. Senti seu esforço em continuar sua trajetória, apesar dos obstáculos colocados pelo homem, do assoreamento de suas margens, do lixo jogado em suas águas, das tentativas de retificar seu leito, dos descaso com que o tratam.

Ainda não descobri porque o denominaram de Castelhano, mas minha origem uruguaia talvez seja o motivo de minha aproximação. Não tive a oportunidade de nadar em suas águas, mas já bebi de sua água pura das nascentes e, talvez esta ação esteja me dando forças para continuar lutando pela sua preservação.

 (*) Bacharel em Economia pela Universidade de Cruz Alta, RS; Bacharel em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Mestrado em Administração pela Universidade de Syracuse, New York, USA; Mestrado em Auditoria e Gestão Ambiental pela Universidad de Leon, Madrid, Espanha; Professor Universitário; Presidente do Instituto Gaúcho de Sustentabilidade, Consultor Organizacional. Ambientalista

Venâncio Aires, 11/08/2017

 

 

 

 

 

UMA SOCIEDADE RESILIENTE

(*) Adm. Volnei Alves Corrêa

A primeira vez que ouvi a palavra Resiliência foi numa palestra patrocinada pelo Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul, dentro de seu ciclo de Palestras, denominado Ciclos de Debates Em Administração.    De imediato fui procurar o significado da palavra e em que situações ela poderia ser aplicada. O que realmente significaria a palavra resiliência?    Em sua origem latina, resiliens, significa voltar ao normal, ou seja, resiliência seria a capacidade de um objeto, um ser vivo,  voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica e fora do comum.

Para os psicólogos, resiliência nada mais é do que a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação. Em outras palavras, resiliência também pode ser a habilidade de se manter sereno diante de uma situação de estresse, ou a capacidade de regular a intensidade de seus impulsos no sistema neuromuscular (nervos e músculos). Ou seja, seria a  aprendizagem de não se levar, impulsivamente, pela experiência de uma emoção.

Um famoso ecologista canadense, C. S. Holling (1), na década de 70, utilizou, pela primeira vez a expressão resiliência ambiental, definindo-a como ¨ a aptidão de um determinado sistema que lhe permite recuperar o equilíbrio depois de ter sofrido uma perturbação¨. Este conceito remete para a capacidade de restauração de um sistema ambiental.

Tive oportunidade de observar in loco este fenômeno num Arroio que banha o município de Venâncio Aires, RS. Na década de 80, através do Programa Federal PRÓVARZEAS e depois através do próprio Departamento Nacional de Obras e Dragagens (DNOS), o Arroio Castelhano sofreu várias retificações. Sem entrar no mérito das intervenções realizadas, fazendo uma visita às margens do referido Arroio, constatei que o último trecho retificado está voltando a sua forma natural. Isto pode ser considerado como resiliência ambiental.

Como poderemos aplicar este conceito ao comportamento humano?            Não tenho uma ideia muito clara, mais eu começaria por um estudo das antigas tradições. Não precisa ser dos indígenas de outros países, não precisa ser da antiguidade. Acredito que podemos encontrar respostas com nossos próprios ancestrais. Basta pergunta para nossos avós, basta observar o que acontecia, para poder verificar como eles se comportavam em situações de turbulência.

Nós, além de poluirmos os leitos hídricos, estamos destruindo as matas ciliares que protegem nossos rios, riachos e arroios. Achamos que se plantarmos, junto as suas margens, e cuidarmos por, no mínimo cinco anos, elas se recuperarão. Isto, de fato pode acontecer, mas seria bem mais fácil e, talvez mais eficaz, simplesmente cercar a área degradada e deixar a natureza exercer sua ação resiliente.

Para o Grupo 100 Cidades Resilentes, a construção da resiliência urbana requer olhar uma cidade de forma holística. Para que isto aconteça é necessário  compreender os sistemas que compõem a cidade, as interdependências e os riscos que podem enfrentar. Ao fortalecer o tecido subjacente de uma cidade e ,entender melhor os possíveis choques e tensões que pode enfrentar, uma cidade pode melhorar sua trajetória de desenvolvimento e o bem-estar dos seus cidadãos. (2)   Assim o Grupo 100 Cidades Resilientes, define Resilência como  “a capacidade de indivíduos, comunidades, instituições, empresas e sistemas dentro de uma cidade  sobreviver, adaptar e crescer independentemente dos tipos de estresse crônico e choques agudos que experimentam”.(3)

Como os individuos as sociedades humanas vivem em stress, uns são crônicos outros agudos.    Para nós humanos um stress agudo é aquele que nos acomete seja por uma doença, uma desavença,sendo,  normalmente ,de curta duração. Já o stress crônico é normalmente um evento mais dramático, tal como um acidente.(4)

Uma comunidade pode ser acometida de desastres que podem ser classificados de crônicos. Dentre eles poderíamos destacar, os alto índices de desemprego, sistemas de transportes públicos ineficientes e ultrapassados, uma violência endêmica ,cada vez maior, escassez  e muitas  vezes falta de alimentos e agua. Estes são desastres que poderíamos chamar de antropomorfícos, ou seja, gerados a partir da ação de seres humanos.             Outro tipo de choque que a natureza sofre são os agudos. São em sua maioria repentinos, ameças que surgem, algumas passíveis de percepção, outras não. Neste caso podemos arrolar, as inundações, terremotos, maremotos, epidemias,  ondas de calor, fogo, acidentes com materiais perigosos, tornado, terrorismo, surto de doença, etc.

Com os desastres que ocasionam os stresses crônicos de uma Cidade, tem-se inúmeras maneiras de eliminá-las, através da análise e busca de solução para seus efeitos. O desemprego pode ser minimizado através da geração de novos empreendimentos.

Os sistemas de transporte publicos podem ser melhor desenvolvidos, reduzindo o uso de veículos automotores nas cidades, com a utilização de meios alternativos, tais como bicicletas.    A violência,entrentanto não pode continuar a ser enfrentada com violência.A única solução que me ocorre, e não é de curto prazo, é a educação em tempo integral.Tirar as crianças das ruas é uma forma de eliminar a principal fonte de disseminação do uso de drogas.    Finalmente, a escassez de alimentos, por sua vez,  deve ser combatida através de uma maior produção local de alimentos possíveis de serem cultivados em pequenas áreas do espaço urbano.

Nas cidades do interior, a maioria das casas possui um pátio. Os espaços urbanos vazios ainda são inúmeros. A criação de hortas residencias, hortas em escolas e hortas urbanas será a ação mais imediata e positiva para se combater a escassez de alimentos.

CITAÇÕES

(*) Bacharel em Economia pela Universidade de Cruz Alta, RS; Bacharel em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Mestrado em Administração pela Universidade de Syracuse, New York, USA; Mestrado em Auditoria e Gestão Ambiental pela Universidad de Leon, Madrid, Espanha; Professor Universitário; Consultor Organizacional. Ambientalista; Presidente do Instituto de Sustentabilidade e Resiliência

E-mail: volnei1941@gmail.com

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CUIDAR DAS ÁGUAS, CUIDAR DA TERRA, CUIDAR DOS SERES

CUIDAR DAS ÁGUAS, CUIDAR DA TERRA, CUIDAR DOS SERES
(*) Adm. Volnei Alves Corrêa

Vou iniciar este texto citando a fábula do Cuidado conservada por Caio Julio Higino, filósofo e escritor da Roma Antiga (1).
¨Certo dia, Cuidado, passeando nas margens do rio, tomou um pedaço de barro e o moldou na forma de um ser humano. Nisso apareceu Júpiter e, a pedido e Cuidado, insuflou, naquela matéria, o espírito. Cuidado quis dar-lhe um nome, mas Júpiter lhe proibiu, querendo ele impor o nome. Começou uma discussão entre ambos.
Nisso apareceu a Terra, alegando que o barro era parte de seu corpo e que, por isso, tinha o direito de escolher um nome. Gerou-se uma discussão generalizada e sem solução.
Então todos aceitaram chamar Saturno, o velho deus ancestral, senhor do tempo, para ser o árbitro. Este deu a seguinte sentença, considerada, por todos, justa.
Você, Júpiter, deu-lhe o espirito, receberá o espírito de volta quando esta criatura morrer. Você, Terra, forneceu-lhe o corpo, receberá o corpo de volta quando esta criatura morrer. E você, Cuidado, que foi o primeiro a moldar a criatura, acompanhá-la-á por todo o tempo em que ela viver.
E como vocês não chegaram a nenhum consenso sobre o nome, decido eu: chamar-se-á HOMEM, que vem de HÚMUS, que significa terra fértil. ¨
Qual a grande mensagem desta fábula? Ela simplesmente nos diz que existe um novo paradigma que está procurando emergir em nossa tão sofrida civilização.
Estamos, há algum tempo, tendo uma grande falta de cuidado com a Natureza e com os recursos escassos. Estamos desperdiçando em demasia. O uso da tecnociência, criadora de armas de destruição em massa e de devastação da biosfera, tem servido, principalmente para reduzir, cada vez mais, as possibilidades de sobrevivência da espécie humana.
Nas palavras de Leonardo Boff (2), ou cuidamos ou pereceremos. Temos que cuidar, prevenindo os danos futuros ao mesmo tempo em que procuramos regenerar os danos do passado. É com cuidado que poderemos reforçar a vida, zelar pelas condições físico-químicas, ecológicas, sociais e espirituais que permitem a reprodução da vida e sua ulterior evolução.
Novamente me referindo a Leonardo Boff, ele foi muito feliz ao dizer que a correspondência ao cuidado em termos ecológicos-político é a SUSTENTABILIDADE.
Sustentabilidade, um outro termo bastante utilizado nos tempos de hoje, mas que já vem sofrendo o desgaste pela sua aplicação indiscriminada, muitas vezes sem a clara compreensão.
Etimologicamente, a palavra sustentável (3) tem origem no latim “sustentare”, cujo significado é sustentar, apoiar e conservar. Entretanto, as ações mais utilizadas, em nossos dias, estão normalmente relacionada com uma mentalidade, atitude ou estratégia do que seja ecologicamente correto, daquilo que é viável no âmbito econômico, ou seja, aceito como socialmente justo e atendendo a uma diversificação cultural.
O conceito de Cuidado, está diretamente relacionado a idéia de sustentar, apoiar, conservar. Cuidar, sustentando ações que visem a preservação do Planeta, reduzindo as agressões inúteis e predatórias. Cuidar, apoiando todos os movimentos que procuram dar melhores condições de vida para todos os seres vivos. Cuidar, conservando os recursos naturais, procurando recuperar aquilo que já foi devastado. Para que isto aconteça devemos criar uma nova mentalidade, mudando nossas atitudes e definindo estratégias que sejam ecologicamente corretas.
Dentro do processo de cuidar, pode-se, sem problema algum, adotar uma combinação de fatores que propiciem ao ser humano as condições para enfrentas e superar problemas e adversidades. Este seria o conceito de Resiliência, que proveniente do Latim – resiliens, significa voltar ao estado normal.
Por outro lado, denomina-se de resiliência urbana a capacidade de indivíduos, comunidades, instituições, empresas e sistemas dentro de uma cidade sobreviverem, se adaptarem e crescerem, independente dos tipos de estresses crônicos e choques agudos que vivenciam (4)
Concluindo, gostaria de enfatizar que Cuidar das Águas, Cuidar da Terra, Cuidar dos Seres, é um círculo luminoso, onde cada um de nós se integra ao todo para tornar este Planeta um lugar ideal para se viver.

Citações
1. Wikipedia
2. BOFF, LEONARDO – Ética e Moral a base dos fundamentos. Editora Vozes, 2ª edição, Petrópolis, 2004
3. Pesquisa na internet em 03/12/15. http://www.significados.com.br/sustentabilidade /
4. 100resilientcities http://portoalegreresiliente.org/o-que-e-resiliencia/
(*) Bacharel em Economia pela Universidade de Cruz Alta, RS; Bacharel em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Mestrado em Administração pela Universidade de Syracuse, New York, USA; Mestrado em Auditoria e Gestão Ambiental pela Universidad de Leon, Madrid, Espanha; Professor Universitário; Consultor Organizacional. Ambientalista .Presidente do Instituto de Sustentabilidade e Resiliência.
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UMA CIDADE PODE SER SUSTENTÁVEL?

UMA CIDADE PODE SER SUSTENTÁVEL?
( *) Adm. Volnei Alves Corrêa

A partir da revolução industrial, iniciada no século XVIII, o fluxo de pessoas em direção as áreas urbanas tornou-se tão intenso que as mesmas passaram a ser consideradas como o provável futuro do mundo.

Hoje, segundo dados da Organização das Nações Unidas, mais da metade da população mundial vive em cidades, e esse número deverá dobrar até 2050.

Não se pode desconhecer este crescimento, ele é inevitável e decorrente do desenvolvimento de novas tecnologias. Contudo, é importante que se debata a forma sob a qual este processo vai acontecer.

Será que vamos investir na infra-estrutura física e social necessária para cidades habitáveis, equitativos e sustentáveis? Será que vamos considerar as pessoas como seres humanos e não apenas como pagadores de impostos e consumidores de serviços?

Na última edição de Estado do Mundo (1), a principal publicação do Instituto Worldwatch, especialistas de todo o mundo examinaram os princípios fundamentais do urbanismo e do perfil de cidades sustentáveis que estão colocando em prática estes princípios.

O que seria uma cidade sustentável?

Para iniciar esta discussão deve-se conceituar o que é sustentabilidade e quais as características que definiriam uma cidade como sustentável.

Segundo o site Sua Pesquisa.com, (2) ¨Sustentabilidade é um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. ¨

Dentro desta visão a sustentabilidade estaria diretamente relacionada com o desenvolvimento que não agredisse o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro.

Embora mundialmente reconhecido pelo meio acadêmico, este conceito parece-me um tanto quanto restritivo, pois fala do meio ambiente como se ele fosse apenas um manancial à disposição do homem.

Para mim o termo “sustentável” (3) que provém do latim sustentare (sustentar; defender; favorecer, apoiar; conservar, cuidar) é bem mais abrangente pois não se restringe a sustentar, mais inclui a idéia de defender, favorecer, apoiar, conservar e cuidar.

Portanto, quando se fala em cidades sustentáveis deve-se iniciar pela pergunta como as cidades se sustentam. Hoje as grandes metrópoles já são consideradas insustentáveis, pois elas não conseguem gerar os recursos mínimos para a sustentabilidade de seus cidadãos.

Começando pela ação defesa da cidade e de seus cidadãos, já temos uma questão mais delicada. No nosso sistema político institucional a segurança é competência do Estado, podendo os municípios, acessoriamente cuidar do trânsito e da segurança de prédios e lugares públicos.

Quando se fala em recursos financeiros, para atender as demais funções básicas de educação e saúde, constata-se que eles vêm dos outros níveis de Governo. Os municípios têm suas receitas, mas as mesmas são insuficientes para atender todos os serviços de competência municipal.

Segundo dados do Ministério da Fazenda o total da carga tributária brasileira, no período de 2005/9 teve a seguinte distribuição:

COMPETÊNCIA PERCENTUAL
Federal 70,0%
Estadual 25,5%
Municipal 2,5%

Considerando esta distribuição, extremamente centralizadora, como podem os municípios atenderem as inúmeras demandas de seus cidadãos, sem que haja uma melhor redistribuição de renda e de responsabilidades dos diferentes níveis de governo?

É importante salientar que, muito embora o Governo Federal e os Estaduais repassem recursos para educação, saúde e segurança, é nos municípios que a ação acontece. São os municípios, em contato direto com os cidadãos, que devem prestar os serviços, são eles que recebem as reclamações, e é neles que devem começar as ações de sustentabilidade

Acredito que a solução para a grande maioria dos problemas municipais, está na aplicação práticas consideradas mundialmente como sustentáveis. O cidadão precisa conscientizar-se de que ele tem o poder de apoiar as mudanças. Ele pode defender e apoiar ações que signifiquem uma aplicação mais eficiente e eficaz dos recursos públicos. Recursos estes que foram gerados por ele mesmo.

Esta atitude de participação fiscalizadora serve para nos torna mais conscientes de que também é obrigação do cidadão conservar e cuidar o ambiente que o cerca, começando por sua casa e, continuando por sua rua, sua escola, sua comunidade, sua cidade.

Uma cidade é um agrupamento de pessoas, que se utilizam de prédios, de sistemas de transporte, de abastecimento de água e energia para seu conforto. Neste espaço ocorrem os relacionamentos, no qual a Administração Pública deve prover serviços eficientes em termos, principalmente, de saúde, educação e segurança.

Logo uma cidade sustentável é aquela em que todos estes fatores interagem com sincronia, criando uma rede, em que prestadores de serviços, servidores públicos e clientes interagem de forma civilizada e cooperativa, com o objetivo final de sempre conseguir o bem comum.

(1) Pesquisa na Internet em 10/5/16. Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
(2) Pesquisa na Internet em 10/5/16.http://www.suapesquisa.com/ecologiasaude/sustentabilidade.htm
(3) Pesquisa na Internet em 10/5/16.https://pt.wikipedia.org/wiki/Sustentabilidade

(*) Bacharel em Economia pela Universidade de Cruz Alta, RS; Bacharel em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Mestrado em Administração pela Universidade de Syracuse, New York, USA; Mestrado em Auditoria e Gestão Ambiental pela Universidad de Leon, Madrid, Espanha; Professor Universitário; Consultor Organizacional. Ambientalista; Presidente do Instituto Gaúcho de Sustentabilidade
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INSTITUTO DE SUSTENTABILIDADE E RESILIÊNCIA – ISR

Instituto de sustentabilidade e Resiliência – O ISR

Estamos vivendo em uma Sociedade em que as disrupturas estão cada vez mais presentes. As mudanças climáticas, por exemplo, têm afetado nosso ambiente e sem dúvida alguma, somos nós os grandes geradores de condições para que estas mudanças venham ocorrendo com mais frequência.

Os fenômenos climáticos, principalmente os resultantes da ação dos Seres Humanos, fizeram com que os indivíduos começassem cada vez mais a se preocupar com a Resiliência. Em sua origem latina, resiliens, significa voltar ao normal, ou seja, resiliência seria a capacidade de voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica e fora do comum

S. Holding, na década de 70, utilizou, pela primeira vez a expressão resiliência ambiental, definindo-a como ¨ a aptidão de um determinado sistema que lhe permite recuperar o equilíbrio depois de ter sofrido uma perturbação¨.

O grupo 100 Cidades Resilientes, define Resiliência como  “a capacidade de indivíduos, comunidades, instituições, empresas e sistemas dentro de uma cidade  sobreviver, adaptar e crescer independentemente dos tipos de estresse crônico e choques agudos que experimentam”.

O Instituto de Sustentabilidade e Resiliência, criado por um grupo de ambientalistas, se propõe a atuar junto aos Municípios, procurando, através de ações sustentáveis, mobilizar as Comunidades, ajudando-as a desenvolverem atividades resilientes que permitam o desenvolvimento social, econômico e ambiental.    Para o ISR, a capacidade de nos recuperarmos ou de nos adaptarmos positivamente diante das adversidades ou riscos significativos é uma atitude resiliente. O que procuramos é pensar mais no que fazer com o que aconteceu, utilizando a adversidade para encontrar novas oportunidades.
Você concorda com este posicionamento? Caso positivo, associe-se a nós e vamos juntos procurar soluções para os problemas sociais, econômicos e ambientais que estão impedindo o Crescimento e Desenvolvimento Sustentável do Município de Venâncio Aires, do nosso Estado, do nosso País.

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